A letter that you won’t read

•abril 27, 2013 • Deixe um comentário

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio
O ódio, nada mais é que amor direcionado a seus inimigos.
E amor é o ódio apontado para aqueles que se chamam amigos.
Sinto por ti um ódio que beira a loucura transformando-se na forma mais pura de amor.
O ódio que sinto por ti me alimenta, me consome, me destrói por dentro.
O amor qe sinto é consumido por mim, me reconstrói.
Formando uma linha tênue entre os dois, prestes a romper a ceder para o lado mais fraco. Não deixarei a tentação ceder, esta batalha que acontece dentro de mim me mantém vivo, alimenta minhas fibras e me faz escrever.
O equilíbrio nunca pode ser desfeito as vezes tenho vontade de sucumbir, de deixar me levar pelo ódio, mas o amor é mais forte, mais intenso e retorna o equilíbrio.
Chamo minh’alma de balança. Sempre em busca do perfeito equilíbrio, da comunhão com o corpo e a mente.
Imploro-te, ache a resposta para que o equilíbrio dentro de ti volte a ser perpétuo, não quebre o fio tênue que há em sua alma, banhe-se com o poder do amor, cubra-te com o estandarte do ódio, ame o ódio, odeie o amor.
Entregue-se a mim como outrora.
Se jogue de corpo, alma e mente novamente no meu barco, para navegarmos no rio da vida
Entregue-se a paixão de antes, viva a vida de sempre, me coloque denovo no seu ser, vamos voltar a ser apenas um.
Aceite a comunhão dos nossos corpos em prol da junção de nossos espíritos.
Ame-me, sorva-me, beba-me.
Darei-te meu corpo, minh’alma, tudo que possuo.
Jogue-se de costas nos meus braços.
Eu te levarei embora, venha comigo, me de seu coração. Pois o meu tu já tens.
Sempre terás.
Eu te rogo, como os mortais rogam a seus deuses, te imploro, te suplico, seja minha novamente.
Adoro te ver ouvindo minhas palavras, admirando meu sorriso, rindo de mim.
Acho que o amor me purificou.
Nunca me senti assim antes, quero que se sinta assim também. Venha comigo caminhas por verdes pastos, eu cuidarei-te e adorarei-te, amareite-te, deleitarei-me com sua voz.
Reviva como o pássaro do sol, saia das cinzas que te prendem, desprenda-se das correntes que te cercam, solte as trancas que impusera a si, me ame, me adore como eu faço a ti, amo-te, adoro-te, venero-te, sonho contigo, quando deito, quando acordo, quando como, quando não penso em nada, estou pensando em ti.
Você se tornou a peça que falta em mim, o ponteiro da vida em meu relógio.
Você se tornou a peça fundamental de minha vida.
Bem sei que é você que quero, que espero, que acredito.
Volte a ser inteiramente minha, vivo por ti, morreria por ti, mataria por ti.
Te desejo mais que desejo minha própria vida. Pois sem você não há mais vida para este humilde mortal.
Venha vencer o tempo comigo, caminhar de mãos dadas com destino a eternidade, seremos imortais, veremos o fim dos tempos, testemunharemos o começo do novo tempo. Vamos nos libertar de nossos corpos. Coisas normais como tempo, matéria, espaço, nada disso vai existir para nós, seremos o tempo, seremos tudo.
Venha beber nas taças de ouro do paraíso que criaremos para nós.
Seremos deuses dos nossos próprios destinos, nada vai ficar em nosso caminho.
Será que meu sonho é vão, é fútil, talvez egoísta?
Meu sonho é ter-te junto a mim, junto a minha existência como mortal, livres de fim.
Eu te amo meu amor.
Pegue, leve meu coração, minh’alma, minha existência, minha vida, nada disso tem o menor valor para mim sem ti, sem você, sem seu amor precioso sou apenas uma casca vazia, oca, sem nada. Pútrido meu corpo se consumirá sem ti.
Peço-te encarecidamente, não me deixe jamais, se não sou o que queres me fale, serei os seus sonhos,por ti serei quem desejares, de anjo a demônio, de puro a podre, de vivo a morto.
Apenas di-me e farei.
Por favor como último pedido, lembre-se dessas palavras, sem nem ouvi-las, sem nem lê-las, pois talvez nunca chegue o dia de ouvi-las, nem de ve-las com seus olhos famintos, janelas da alma, refúgio para um homem cansado, seu homem, que foge de tudo e todos para apenas estar ao seu lado.
Ahhh… como queria poder pegar-te em meus braços e levar-te para longe da vista de todos, para apenas eu ver-te, amar-te, mas isso é egoísmo da minha parte.
Deixe que a chuva lave nossos pecados, purificaremos nossos corpos com a água dos Deuses, sujaremos nossas almas com o fruto da árvore proibida, quebremos os muros da mentira, que facemos os deuses se ajoelharem diante de nós, facemos os anjos cantarem nosso amor, quebremos a sagrada ampulheta eterna, onde escorre as areias do infinito, sujemos nossas mãos nela e a espalhemos pelo abismo no fim do universo, lugar onde não há nada.
Chegaremos lá e preencheremos com nossa presença. Sujemos o chão do palácio branco de mármore, festejemos a coroação do rei e o destrono da rainha. Joguemos dados com deus e o universo, vamos abolir nossos corpos e nos uniremos no mar dos grandes espíritos viajantes, deixe-me levá-la a todos os lugares e a lugar nenhum. Prometo segurar sua mão caso se perca, guiar-te na escuridão do teatro sem iluminação.
Levantar as cortinas para o palco imaculado. Levarei-te as frutas mais doces já concebidas pela natureza, hei de levantar-te e até o sol invejará tua beleza, se ofuscará com seu brilho, a lua, coitada, tão pequena frente nós dois, deitados no alto do monte Olimpo.
Não haverá mais guerra, o medo, deixará de existir, a luz nos cobrirá com sua profunda paz alva, os pássaros irão cantar a mais pura das melodias, não haverá palavras na língua dos homens suficientes para dizer como te amo, seremos puros, seremos únicos, apenas um espírito viajandos pelas bordas do destino, ignorando o resto só haverá nós dois. Para sempre.
A neve é branca, pura, porém fria, deitemos nela e a aqueceremos-la, e ela irá nos dar a pureza, observaremos animais correndo e com eles nos comunicaremos, falaremos sobre a vida e sobre a morte, sobre o amor, vamos ensiná-los tudo sobre o amor, sobre a balança dos nossos interiores.
Mudaremos as concepções de amor, o que sinto por ti já transcendeu essa mísera palavra. O que sinto por ti é enorme, é puro e limpo como o Rio Nilo a muitos ontens, puro como os primeiros raios de Sol da manhã. Evolua comigo, deixe os pesos da realidade para trás. Deixe-me explorar cada canto de ti, aninhar-me nos seus braços, como fazem os filhotes das grandes feras. Admirarei-te como a estrela D’Alva. Farei-te ser única como o encontro dos rios com os mares, será especial como as luzes do norte.
Guardarei-te na mais profunda fossa do oceano. Nada sabem os poetas sobre o amor, escrevem um vida que temem viver, eu não, procuro viver a tudo que escrevo, seja minha pena, me ajude a escrever nossa história.
Vejo-te como minha única salvação.
Desculpe-me se me alonguei muito, escrevi o que senti, não quis te magoar, peço as mais sinceras desculpas se o fiz.
Amo-te mais que minha própria vida.
Uma despedida de uma carta que não sei se lerás.
Com amor,
Lucas Ferreira Val
19/04/2013.
04h17.

I have a politic view

•março 2, 2013 • Deixe um comentário

Vendo nas redes socias e conversando com amigos, pude perceber uma coisa que está acontecendo muito, uma coisa que é muito boa, mas que está se mostrando desastrosa na hora de ser expressada: a politização precoce. Isso por um lado é muito bom, pois incentiva o debate, a leitura, a pesquisa, tanto de assuntos para enriquecer uma conversa, quanto de um candidato para a escolha do voto.
Por outro lado, o ponto negativo disso tudo é como estes jovens estão expressando seus pontos de vista. Estes não estão sendo baseados em ter um melhor argumento para vence um debate, ou, sugestões para chegar a um consenso com a pessoa de idéias diferentes. Essa expressão vem em forma de agressão, muitas das vezes física, na tentativa de desmoralizar e de desacreditar a posição do outro, a opinião do diferente não é mais apenas desigual, é errada, tudo que é diferente do que eu penso está errado, se tem uma visão política diferente da minha está errado, é maluco. E não apenas na parte política, em todas as áreas isso acontece, música, religião, muito forte nesta, embora, entre os jovens o preconceito contra religiões divergentes esteja diminuindo.
Falo da política com mais ênfase, pois converso com meus amigos, converso com pessoas diversas, (tenho 19 anos), e porque no ano passado tiveram as eleições para prefeito, e podemos ver com clareza o que estava acontecendo. Nos debates que aconteceram o que se via era apenas ataques, feitos entre os dois maiores candidatos, Eduardo Paes(PMDB) e Marcelo Freixo(PSOL), o que um fazia era apenas atacar e atacar, para tentar desmoralizar o adversário. Nas propagandas, o foco não eram os projetos e sim apontar defeitos, apontar falhas, mostrar escândalos, debochar. Quero deixar claro que não expresso minha preferência para nenhum dos dois, quero apenas apontar o que houve.
E o que se via, nas redes sociais, ruas, era apenas o ódio, gratuito.
Outra coisa muito comum que ocorre, em época de eleições, é, os defensores de um candidato falarem que só ocorrerá a “grande festa da democracia”(eleições diretas) se o defendido ganhar, se o outro vence, é fraude, é ditadura, é isso e aquilo, mas democracia não é, só é, se o meu for eleito.
Fugindo um pouco do âmbito direto da política, mas que está interligado é a crítica da juventude pseudo-intelectual, aos canais de televisão, hoje se eu assisto a um determinado canal sou alienado, se mudo, manipulável, se tento novamente trocar, sou um burro. Essas pessoas fazem parecer que os canais de televisão obrigam todos a verem a programação, que não temos escolha. Acho que vivem no mundo de “1984”(Orwell, George. 1949), em que as ‘TVs’ ficavam ligadas direto, monitorando tudo que a população fazia, (aliás, o livro é ótimo), mas isso não ocorre, temos a liberdade de mudar de canal, de desligar, temos a liberdade individual, se eu quiser ver um programa que você acha horrível e fala que manipula, me influencia, foda-se(me desculpem), eu vou ver. Se você não gosta, não veja. E querer que a emissore tire do ar, em nome da liberdade de expressão que você tanto defende, não faz o menor sentido.
Outra coisa que eu vejo, é a capacidade desses mesmos jovens, de verem ligação em tudo. Exemplo, o candidato do partido A venceu, mas ele só venceu porque a emissora B o apoiou e denegreiu a imagem do candidato C, porque essa emissora te manipulou. Você só usa tênis dessa marca porque na TV, que te manipula e influencia, falou que se você usar vai ser melhor pra sua vida. Tem dinheiro e comprou algo que queira, você é um consumista desenfreado que oprimi a popolação pobre. Tem dinheiro? Conseguiu com trabalho escravo em minas de carvão, o fato de ser o primeiro a chegar, o último a sair da empresa, fazer horas extras, trabalhar o dobro da maioria, não significa nada. E após de dito tudo isso, quando pedida a fonte para esses ‘intelectuais de facebook’, eles( não todos ), respondem: “Tudo mundo sabe disso”. Po, eu não sabia.
O que quero dizer aqui é que parem com o ódio gratuito para com os que pensam, agem diferente. Só porque ele vota em outro candidato, ele não necessariamente é a favor da ditadura, só porque ele assiste a um canal de TV que você não gosta, não quer dizer que é manipulado pela ‘Grande Mídia’, só porque ele tem as coisas que quer, e foram compradas com dinheiro honesto, claro, não quer dizer que ele é um consumista desenfreado, se chegou a uma condição financeira alta, não implica que ele usa trabalho escravo em minas de carvão.
Se politizar é legal, estudar, ler, pesquisar, debater, discutir, argumentar, é muito bom, mas deve ser feito com moderação, mostrar pra alguém porque você acha que está certo, é ótimo, mas impor o que pensas e ter a certeza que tudo diferente de ti é errado, não é legal, pense duas vezes antes de condenar alguém diferente. Em todos os aspectos.
Obrigado.

Tales of Lost Lands XIV

•janeiro 24, 2013 • Deixe um comentário

Going To Nowhere

I’m walking alone
With no destiny
Looking the skies
Counting the stars

I ride under the trees
I can feel the wind
Passing through my eyes
Cleaning my old fears

I’m going to nowhere
To find my love
I’ll stay there forever

I’ll love you every day
With you, only you
For the rest of eternity

Tales of Lost Lands XIII

•dezembro 9, 2012 • Deixe um comentário

I’d Give Everything

I’d give everything
Just to see her again
I miss her too much
A part of me has gone

I’d give everything
To not lose her
I love her too much
A part of me is in her

I’d give everything
Just for a kiss
Just for a hug
Just for a word

I’d give everything
To have both them
The women of my life
My present,past,future

Tales of Lost Lands XII

•dezembro 1, 2012 • Deixe um comentário

The Fallen Angel

I’ve crossed a lake of fire
With my rotten wings
Under a darkness sky
Looking through my black eyes

I’ve seen a gray ghosts
They was floating behind of hope
Always living in a timeless world
Unable to leave, unable to live

I was looking for my halo
To save myself from forgiveness
I’m a fallen angel an old warrior
An old God’s abandoned friend

I used to live in heaven
But I’ve sinned, I know
Now I’m trying to forget
To return to my real home

I love

•setembro 24, 2012 • Deixe um comentário

Este post é dedicado aquela que eu mais amo. Já a citei em vários outros posts como inspiração para escrever, mas nunca escrevi nada sobre ela, falando dela, nada. Me deparei com isso a poucos dias.
Mas o que e como falar dela? Infelizmente sou muito ruim com as palavras mas, vou tentar falar da melhor maneira possível daquela que me insipira.
Nos conhecemos a 11 anos, no falido colégio Santa Úrsula, enquanto cursávamos a segunda série, lá fizemos juntos esta e a terceira série, ano em que ela saiu do colégio e perdemos contato.
Nos encontramos no ano seguinte na festa junina do colégio, onde marcamos de ir ao cinema, vemos o filme Hulk, e ela fica insistindo que dei um soco em seu olho, mentira. Perdemos o contato de novo.Não me lembro como, marcamos de ir na lagoa, lembro que na epóca de natal pois a árvore da lagoa estava armada. Mas o mais incrível que o reencontro que nos uniu, foi ao acaso, não foi marcado, foi num evento que teve na PUC que nos encontramos numa palestra muito chata, começamos a conversar, e marcamos de sair.
Fomos ao aterro do flamengo, sentamos um pouco lá, caminhamos e fomos ao espaço OI Futuro, lá estava tendo uma exposição, que tinha uns puffs e uma sala meio escura, sentamos lá e eu comecei a me aproximar, fui acariciando seu braço e chegando cada vez mais perto, beijei sua testa, a ponta do nariz e parei um pouco para ver se ela realmente queria, então, beijei sua pequenina boca. Fui uma sensação incrível, maravilhosa, perfeita.
Até hoje lembro-me perfeitamente daquele dia.
Determinada, nunca a vi desistir de nada que tenha começado ou de nada que queira, sempre buscando, melhorando para chegar no objetivo, sempre com calma, nunca se apressa, tudo ter que sair perfeito.
Inteligente para conseguir o que quer sempre da melhor maneira possível.
Um pouquinho preguiçosa, só um poquinho.
Dona de olhos tão bonitos, pequenos,olhos que expressam muito bem que está sentindo, mas que conseguem me fazer ficar mais calmo apenas por olhar, parte mais bonita de seu corpo, competindo apenas com as mãos.
Acho que talvez a única pessoa que realmente acha graças nas minhas maravilhosas piadas, bom se não acha pelo menos ri.
Com cabelos tão convidativos para fazer um cafuné, que só de estar perto de mim, já sinto vontade de fazer, o que segundo ela, é o melhor cafuné do mundo.
Mãos tão macias e delicadas, com um toque tão perfeito, acho que nao consigo ve-la e não toma-las em minha mão e tão gostosas, que viraram as mãozinhas de queijo.
Seu carinho é um convite ao sono, e quando se fala de carinho isso quer dizer perfeição.
Seu beijo é tão apaixonado, tão carregado de sentimentos, que cada beijo parece a primeira vez.
Seus abraços tão quentes e protetores
Essa é minha Amanda, tão bela, tão incrível, tão perfeita pra mim.
Amo-a mais do que tudo, mais do que todos, preciso dela, vivo para protege-la e faze-la feliz.
Te Amo minha querida, este post é pra Você.

The Day That I’ve Died

•agosto 22, 2012 • Deixe um comentário

Seria apenas mais uma viagem normal. Acordaria, tomaria um rápido banho, escovaria os dentes, tomaria um café, escovaria os dentes, pegaria as malas, passagem, um táxi e iria até o aeroporto, fazer todas aquelas coisas chatas que se faz antes de viajar.
Peguei o taxi e me dirigi ao aeroporto internacional, no carro tocava uma música tranquila, bem diferente das músicas que taxistas costumam ouvir, foi uma corrida rápida, o trânsito estava bom e demos sorte de pegar os sinais abertos.
Nos dias que antecedem minhas viagens sempre penso o que vai acontecer durante o vôo, se teremos turbulência, se o lanche servido será bom, mas, principalmente, se esse será o meu último vôo. Nunca foi. Pelo menos até agora. Cheguei ao aeroporto, fiz check-in, despachei minha mala, que continha exatamente a roupa que irei precisar: uma roupa social, uma calça jeans, uma camisa branca e uma preta,  2 pares de meias e um par de sapatos sociais. Nuncame importei muito com aparência, mas ultimamente tenho me preocupado de mais com a minha aparência, isso me preocupa um pouco, posso acabar morrendo em um incêndio na minha casa porque estava tentando salvar uma calça que custou mais que essa viagem que estou fazendo hoje.
Depois de enviar minhas malas e pegar o cartão de embarque, vou na costumeira lanchonete comprar um refrigerante, comer um sanduíche e tomar um copo de café expresso, nunca gostei de tomar café em xícara, carrego comigo uma mochila pequena onde levo coisas básicas: celular,carteira,passaporte, notebook,, escova e pasta de dentes, sabonete e um xampú.
Ouço a vozinha irritante da mulher do aeroporto, que nunca envelhece e deve ser cega, narrando que meu vôo está com o embarque aberto, me dirijo para o portão, entrego o cartão de embarque para o cara com a máquina que lê códigos de barra, ele autoriza minha passagem, tiro a mochila para pegar o passaporte, e colocá-la na mesa para o raio-x, passo pelo detector de metais, que apita por causa de uma moeda no meu bolso esquerdo da calça, a tiro, passo novamente, nada de apito, pego a mochila e me dirijo para o portão designado, 6, nunca gostei muito desse número, deve ser pelo fato de ser um número perfeito (sabe, aqueles números que quando se pega os divisores e se soma o resultado é ele mesmo) pela fato de nunca ter gostado de coisas perfeitas, gosto das coisas com erros, menos minha comida, odeio quando peço de um jeito e fazem de outro. Entrego meu cartão de embarque que é prontamente resgado pela mulher na entrada do finger que me deseja uma boa viagem, que por descuido meu desejo boa viagem para ela também, passo pelo finger, entro no avião, me dirijo ao meu assento, dou uma olhada nos outros passageiros, só entraram mais 6, maldito, um gordo sentado no fundo com uma grande mochila azul, uma camisa ”I love new york” e um relógio enorme no braço direito, imagino que seja canhoto, uma mulher de uns 40 e poucos anos com seus três filhos gemêos com camisas iguais apenas mudando as cores, e um casal idoso sentado logo atrás de mim, o homem de terno de linho, imagino, com um chapéu panamá apoiado no joelho e a mulher, com um vestido verde horrível, um xale jogado sobre a perna e uma bolsinha, que pelo que vejo não cabe nem o passaporte, sento no meu lugar e pego aquele cartão com as informações do que fazer se cair no mar, ou cair em terra, embora, acho que se cairmos no chão morreremos na mesma hora.
Quando dou por mim o avião já está completamente lotado, ao meu lado senta-se uma senhorita, alta, magra, cabelos negros estendidos até a cintura, com uma calça jeans preta, uma camisa branca sendo coberta por um casaco bem curto, branco, ela vira pra mim e fala: “bom dia”, respondo, desejo-lhe boa viagem, e coloco meus fones, não quero ser incomodado durante o vôo, ai percebo o que estava sentido que esqueci, meu Ipod, mesmo assim continuar com os fones para que assim, ninguém fale comigo.
Entram as comissárias dançarinas e começam seu balé, mostrando as saídas, as mascáras de oxigênio, e as outras bobagens que elas falam.
Fico pensando porque ainda não decolamos, todos estão se perguntando a mesma coisa, ou talvez não? Ninguém quer saber o porque do atraso? Olho para meu relógio, percebo que ainda faltam 6 minutos para a hora marcada para a decolagem, porque esse número está me perseguindo? O tempo passa, a voz do comandante surge dos auto-falantes em cima das poltronas, informando o tempo de vôo, e que vamos decolar. Taxiamos até a cabeceira da pista, arrancamos, decolamos. Em pouco tempo estamos estabilizando a altitude. Já que não posso ouvir música, escolho um filme para ver, não me lembro qual.
A moça ao meu lado escolhe exatamente o mesmo filme que eu, me pergunto o porque, maldita mulher, escolheu o assento na mesma fileira que eu, sei que foi ela que me copiou porque sempre compro nessa mesma fileira, 5A, mas quando olho pro meu cartão está lá impresso em letras berrantes 6A, merda, percebo a merda que fiz, sinto que nada dará certo pra mim nessa viagem, sinto vontade de voltar, mas isso, claro, é impossível.
Será que minha mala vai ser extraviada? Será que teremos turbulência comandante? Será que teremos sanduíche com queijo e Coca-Cola para o lanche? Será que chegaremos ao nosso destino? Será que me casarei dentro dos próximos 5 anos? Porque será que pensei isso?
Olho para o céu, poucas nuvens, consigo ver o chão, vejo as cidadezinhas lá embaixo, que triste a vida deles, viverem no chão, enquanto eu, viajo 5 vezes por mês, a trabalho sim, mas pelo menos estou no ar.
Tento dormir mas não consigo, o barulho das pessoas indo ao banheiro me irrita, sinto vontade de gritar e mandá-las pararem de andar. O senhor atrás de mim ronca baixo, a moça ao meu lado apenas sorri, sempre que olho pra ela está sorrindo, penso ”senhorita estamos tracandos em um avião a sei-lá-quantos mil pés de altitude, por favor pare de sorrir.
Ela puxa conversa comigo, ”olá, acho que o dia hoje está lindo para voar não acha?” respondo com um leve aceno de cabeça, será que ela não percebe que não quero conversa? ”De tanto que viajo acho que não pertenço mais a terra, acho que sou do céu” continua ela, mal sabe ela que viajo tanto quanto ela, mas não penso assim, deve ser porque sou muito mais calado que ela. ”Odeia essa comida” diz mordendo o sanduíche que estava em cima de sua mesinha, ”acho muito sem gosto”. Tento pensar em algo para dizer para que ela não ache que sou mal-educado, mas só consigo pensar em como será que os aviôes se sustentam no ar.
O tempo passa e o comandante avisa que chegaremos ao nosso destino dentro de 26 minutos, e que lá o tempo está muito bom, sem nuvens e com temperatura de 25 graus, ufa, pelo menos não era 26. Logo após ele avisa que passaremos por uma área de turbulência leve, e informa que devemos colocar os sintos, as poltronas na posição vertical e fechar e trancar nossas mesinhas.
Olho para a janela e vejo a asa tremer enquanto passamos pela turbulência, acho aquilo muito divertido, mas não sorrio, já a donzela ao meu lado, sorri por nós dois, quando olho novamente para a asa, percebo que algo está errado, uma parte da asa desceu, e percebo que começamos a descer, penso, pronto, morrerei hoje, esse é meu fim. Mas estranhamente ninguém está em pânico, nem as comissárias, nem a criança e nem o gordo. De repente sinto o avião tremer e me preparo para a explosão, mesmo sabendo que se explodisse não adiantaria nada estar preparado.
Percebo, logo após que a tremida do avião foi o mesmo tocando o solo, e a moça ao meu lado olha pra mim, sorri e fala ”chegamos”, olho para fora, vejo que estamos no aeroporto de destino, balanço a cabeça e mentalmente me chamo de idiota, viro para a moça, enquanto o avião taxia, para dar-lhe as boas vindas, mas quando olho resta apenas uma cadeira vazia ao meu lado, fico a procurá-la, pensando se já desceu do avião, mas impossível, estamos taxiando, olho dentro do avião, mas todos parecem dormir. Dou outra olhada para fora da aeronave e vejo, o aeroporto está se afastando, a pista se alongando até o infinito, e o avião, no solo, está se dirigindo até lá, para o nada, pelo menos é assim que imagino para onde estamos indo, já que não consigo ver com clareza para onde é.
Novamente outro tranco, ouço uma voz, ”odeio a aterrissagem, é a parte do vôo que menos gosto.”. Quando viro para olhar é a sorridente que fala isso, pergunto ”onde você foi?”, ”a lugar algum, não poderia me levantar, estávamos em procedimento de pouso, não se pode levantar”, ela me informa, ” mas olhei pra você e tu não estavas ai”, no que ela me responde, ”estranho, não me levantei hora nenhuma, e olha que bonito que é este aeroporto”, olho para onde o dedo dela aponta, vejo o terminal, e estranho porque um minuto atrás íamos ao limbo, porque agora estava lá.
” Divirta-se aqui na cidade”, me diz minha companheira sorridente enquanto se levanta e se dirige para a frente do avião para sair dele, ”você também”, respondo eu.
Desço do avião, passo pela alfandêga, pego minha mala, saio do terminal, e uma coisa muito estranha acontece, ao sair, quando olho ao redor para ver a cidade, estou novamente dentro do aeroporto com minha mochila e minha mala na mão. Me pergunto o que aconteceu e fico inerte por alguns instantes, ai, percebo o que aconteceu, este dia, desta viagem, foi o dia que todos sabemos que chegará, este dia, foi o dia em que morri.